Deficiência de Alfa-1 ANTITRIPSINA


NOVIDADES SOBRE O DIAGNÓSTICO DA DEFICIÊNCIA DE ALFA-1 ANTITRIPSINA NO BRASIL


A investigação de fenótipos de deficiência de alfa1 antitripsina no Brasil

Maria Vera Cruz de Oliveira, Kercia Dantas Saraiva, Priscila Zanetti Pitanga, Anderlei Tessarolo Degering - Hospital do Servidor Público Estadual – São Paulo

Introdução

A alfa1 antitripsina (AAT) é uma protease sérica produzida pelo fígado, que tem por principal função proteger o pulmão da ação da elastase neutrofílica. A deficiência de AAT é uma doença hereditária autossômica recessiva que determina nos adultos, enfisema pulmonar e em menor freqüência paniculite e vasculite Anca C positivo. O enfisema por deficiência de AAT se caracteriza por predominar em lobos inferiores, ocorrer em indivíduos não tabagistas ou com tabagismo pouco intenso e com menos de 45 anos. Pode causar hepatopatia em crianças e adultos, sendo a segunda causa mais comum de transplante hepático em crianças. Foi descrita em 1963 por Laurell e Eriksson na Suécia, e o tratamento de reposição de AAT está disponível desde 1987.
Os níveis séricos e a função da AAT são determinados pelo gen 12.2 kilobase com 7 exons situados no cromossomo 14 at q 32.1. O nível protetor de AAT é 11µmol ou 80 mg/dL. A AAT exibe um alto grau de polimorfismo genético com 75 variantes. Os alelos deficientes mais comuns são S e Z, cujo fenótipo é designado no caso de alteração homozigótica PiSS e PiZZ respectivamente. Existe também o alelo não expresso designado de “null”. O fenótipo determina o nível sérico de AAT (Fig.1). O padrão PiZZ é o que mais freqüentemente se associa ao aparecimento de enfisema pulmonar, sendo que a doença hepática ocorre em aproximadamente 10% dos recém-nascidos ZZ .Os fenótipos MZ, MS e SZ se associam com menor freqüência ao enfisema pulmonar, e no caso MZ assintomático é chamado de portador. A deficiência de AAT pode estar associada à presença de bronquiectasias ou bronquite crônica segundo relatos da literatura. A exposição ao tabaco e a poeiras e fumos nos ambientes de trabalho diminuem a sobrevida dos pacientes com deficiência de AAT.
Os estudos epidemiológicos para avaliar a prevalência da deficiência de AAT foram realizados na forma de screning em recém nascidos, na população geral, em doadores de sangue, em parentes em primeiro grau de deficientes ou com diagnóstico de enfisema de aparecimento precoce. A OMS recomenda o teste quantitativo em todos os pacientes com DPOC ou asma com obstrução fixa, sendo que aqueles com resultados anormais devem ser encaminhados para teste genético. Esta recomendação se baseia no dado de que 1 a 3% dos pacientes com DPOC tem deficiência de AAT. A prevalência mundial pode ser observada no mapa mundi anexo (Fig. 2), sendo que não existem dados referentes ao Brasil.

Fig.1
 
» Apresentação


» Manifestações da deficiência de Alfa-1 antitripsina


» Sinais e Sintomas mais comuns


» Pessoas que devem fazer o exame de dosagem


» A Importância de realizar o exame


» Dados importantes sobre a deficiência de Alfa-1 antitripsina


» Dados importantes sobre a deficiência no Brasil